Saudi Aramco seleciona tecnologia brasileira de olho na expansão geopolítica de gasodutos e oleodutos

Como sugere Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, a gigante Saudi Aramco, em um movimento estratégico iniciado durante a Rio Oil & Gas de 2022, consolidou sua busca por fornecedores brasileiros de elite para sustentar seu plano de expansão global. O objetivo claro era mitigar o risco de escassez técnica em seus megaprojetos na Arábia Saudita. Um dos selecionados para as rodadas de negócios no Rio de Janeiro, destaca que a maior petrolífera do mundo identificou no Brasil não apenas commodities, mas uma “memória técnica” de engenharia que escasseia globalmente.
O “apagão” da mão de obra especializada e a busca pela excelência brasileira
Enquanto o mundo focava apenas na transição energética, a Aramco antecipou um gargalo crítico: o apagão de mão de obra qualificada para infraestrutura pesada. Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta há anos que o lapso temporal na formação de engenheiros e técnicos geraria uma crise de execução. A Liderroll foi sondada justamente por deter tecnologias proprietárias que automatizam processos e reduzem a dependência de grandes contingentes humanos em campo.
A geopolítica dos dutos: Por que a infraestrutura física voltou ao centro do palco?
O cenário pós-conflito na Ucrânia e as sanções à Rússia reconfiguraram a logística energética mundial. A infraestrutura de dutos deixou de ser apenas um meio de transporte para se tornar uma ferramenta de soberania e segurança nacional. Paulo Roberto Gomes Fernandes pontua que países com malhas dutoviárias interligadas ou em anel possuem mobilidade estratégica para o balanço energético. O executivo compara a situação do Qatar, que possui dez vezes mais dutos que o Brasil em uma área infinitamente menor, evidenciando o atraso logístico nacional frente às potências do Oriente Médio.

Liderroll e o desafio do Conteúdo Local na Arábia Saudita
Diferente da política industrial brasileira, que oscilou permitindo a exportação de empregos para estaleiros asiáticos, a Arábia Saudita impõe métricas rigorosas de conteúdo local (In-Kingdom Total Value Add). Paulo Roberto Gomes Fernandes explica que as tratativas envolveram a possibilidade de instalação fabril da Liderroll em solo saudita. A “surpresa” positiva dos árabes com o portfólio da empresa brasileira demonstra que tecnologias de nicho, como os roletes motrizes e suportes para ambientes extremos, são vitais para a integridade dos novos corredores de exportação de energia do Reino.
Como a “fuga de cérebros” impactou a engenharia nacional?
A desmobilização do setor de óleo e gás no Brasil pós-Lava Jato e durante a pandemia resultou em uma severa perda de capital intelectual. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca a falta de barreiras para impedir a evasão da memória técnica nacional. Para ele, a priorização de empresas estrangeiras em detrimento das nacionais deixou o setor “descalço”. A parceria com a Aramco surge, portanto, como uma via de mão dupla: exportar tecnologia de ponta brasileira enquanto se busca blindar e valorizar o conhecimento que ainda reside no país.
Qual a perspectiva da parceria Brasil-Arábia Saudita em 2026?
Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, resume que em 2026 a presença da engenharia brasileira nos desertos sauditas será um atestado de competência global. A integração da tecnologia da Liderroll nos projetos da Aramco não apenas valida a qualidade nacional, mas reforça a tese de que a automação e a inovação em dutos são as únicas respostas viáveis para o crescimento geopolítico do setor em um mundo com escassez de mão de obra especializada.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



