Lixão, aterro controlado e aterro sanitário: conheça as implicações de cada opção para o futuro da sua cidade!

De acordo com o gestor e consultor técnico, Márcio Velho da Silva, lixão, aterro controlado e aterro sanitário são formas distintas de destinação de resíduos, mas que ainda são confundidos no debate público. Tendo isso em vista, entender essas diferenças é essencial para avaliar impactos ambientais, riscos à saúde e responsabilidades na gestão do lixo urbano.
Nos próximos parágrafos, veremos como cada sistema funciona e por que a destinação adequada deve ser prioridade para cidades mais saudáveis.
O que é lixão e por que ele oferece tantos riscos?
O lixão é a forma mais inadequada de disposição final de resíduos. Nele, o lixo é depositado a céu aberto, sem impermeabilização do solo, sem coleta de chorume, sem tratamento de gases e sem controle eficiente de acesso. Com isso, resíduos orgânicos, recicláveis, rejeitos e materiais contaminantes permanecem misturados, ampliando a degradação ambiental.
Segundo Márcio Velho da Silva, esse modelo afeta diretamente o solo, água e ar. O chorume, líquido resultante da decomposição dos resíduos, pode infiltrar no terreno e atingir lençóis freáticos, córregos e rios. Além disso, a decomposição da matéria orgânica libera gases, como o metano, que agravam impactos climáticos e aumentam riscos de incêndios.
Por fim, há ainda um problema social relevante. Lixões costumam atrair pessoas em situação de vulnerabilidade, que buscam materiais recicláveis sem equipamentos adequados. Essa exposição aumenta riscos de cortes, infecções, contato com resíduos perigosos e presença de animais transmissores de doenças. Portanto, eliminar os lixões é uma medida ambiental, sanitária e social.
O aterro controlado é uma solução definitiva?
O aterro controlado é uma alternativa intermediária entre o lixão e o aterro sanitário. Em geral, ele apresenta alguma organização operacional, como cobertura periódica dos resíduos com terra, controle parcial de acesso e tentativa de reduzir odores e vetores. No entanto, essa estrutura não reúne todos os sistemas necessários para proteger o ambiente com segurança, conforme frisa Márcio Velho da Silva, gestor e consultor técnico.
A principal limitação está na ausência ou insuficiência de impermeabilização da base, drenagem completa de chorume, coleta eficiente de gases e monitoramento ambiental contínuo. Por isso, embora pareça mais organizado que o lixão, o aterro controlado ainda pode permitir contaminações e emissões descontroladas. Logo, tratá-lo como solução permanente pode adiar investimentos realmente adequados.

O aterro controlado deve ser visto como medida transitória. Ele pode reduzir alguns danos imediatos, mas não elimina os principais riscos. Portanto, a gestão pública precisa planejar sua substituição por aterros sanitários e fortalecer políticas complementares, como coleta seletiva, reciclagem, compostagem e educação ambiental.
Como funciona um aterro sanitário?
O aterro sanitário é uma obra de engenharia projetada para receber rejeitos de forma segura. Diferente do lixão e do aterro controlado, ele exige planejamento técnico desde a escolha da área até a operação diária. Como informa Márcio Velho da Silva, o solo recebe sistemas de impermeabilização, os resíduos são compactados e cobertos, o chorume é coletado e tratado, e os gases são drenados ou reaproveitados.
Esse modelo também depende de monitoramento constante. A operação deve acompanhar a qualidade da água subterrânea, controlar odores, evitar vetores, organizar o fluxo de caminhões e manter registros sobre os resíduos recebidos. Ou seja, o aterro sanitário não é apenas um local para enterrar lixo, mas uma estrutura de controle ambiental.
Por que a destinação adequada precisa ser prioridade?
A destinação adequada dos resíduos exige mais do que substituir lixões por aterros sanitários. Tal como apresenta o gestor e consultor técnico, Márcio Velho da Silva, é necessário organizar uma cadeia completa, com coleta regular, triagem, reciclagem, compostagem, logística reversa e educação ambiental. O aterro sanitário deve receber principalmente rejeitos, ou seja, materiais que não podem ser reaproveitados com viabilidade técnica ou econômica.
Assim sendo, municípios, empresas e cidadãos têm responsabilidades complementares nesse processo. O poder público deve planejar, contratar e fiscalizar sistemas eficientes. As empresas precisam cumprir normas de descarte e reduzir impactos em suas operações. Já a população deve separar resíduos, evitar descarte irregular e compreender que o lixo continua existindo depois que sai de casa.
Uma gestão correta de resíduos protege a cidade e o futuro
Em última análise, diferenciar lixão, aterro controlado e aterro sanitário permite compreender que nem toda disposição de resíduos oferece o mesmo nível de segurança. O lixão representa abandono ambiental, o aterro controlado reduz danos de forma limitada e o aterro sanitário aplica critérios técnicos para proteger solo, água, ar e saúde coletiva. Portanto, avançar na gestão de resíduos significa combinar infraestrutura, prevenção, educação e fiscalização.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



