Programa Conecta leva soluções tecnológicas de Mato Grosso para a Justiça de todo o país

Ferramentas digitais apresentadas no FestLabs, em Cuiabá, usam inteligência artificial e análise de dados para tornar atividades do Judiciário mais eficientes.
Cuiabá se tornou nesta semana um dos principais pontos de discussão sobre tecnologia, inteligência artificial e transformação digital no Judiciário brasileiro. Durante o 6º FestLabs Nacional, realizado nos dias 20 e 21 de agosto de 2026 na capital mato-grossense, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apresentou quatro novas ferramentas digitais incorporadas ao Programa Conecta. Três delas — LexIA, OMNIA e Hannah — foram desenvolvidas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), enquanto a quarta, chamada LIA3R, foi criada pelo Tribunal de Justiça de Rondônia. A proposta é permitir que soluções inicialmente desenvolvidas para necessidades locais possam ser compartilhadas e utilizadas por outros tribunais brasileiros, evitando que diferentes órgãos precisem criar ferramentas semelhantes do zero. Para Mato Grosso, a iniciativa coloca projetos tecnológicos desenvolvidos no estado em uma vitrine nacional e mostra como sistemas de inteligência artificial e análise de dados já estão sendo incorporados às rotinas da Justiça. (CNJ)
Como funciona o Programa Conecta e por que ele foi apresentado em Cuiabá
O Programa Conecta funciona como uma estratégia de compartilhamento de soluções desenvolvidas pelos laboratórios de inovação do Judiciário. Em vez de cada tribunal investir separadamente na criação de sistemas para enfrentar problemas semelhantes, ferramentas que já foram desenvolvidas e testadas podem ser disponibilizadas para outras instituições interessadas. Na prática, a proposta procura reduzir a duplicação de esforços, estimular a colaboração entre equipes técnicas e acelerar a transformação digital dos serviços judiciais. O lançamento das quatro novas soluções durante o FestLabs reforça justamente esse modelo de inovação compartilhada, no qual um projeto criado regionalmente pode ganhar alcance nacional. (CNJ)
A escolha de Cuiabá como sede do 6º FestLabs Nacional ampliou a visibilidade desse movimento. O evento reúne nesta quinta e sexta-feira, 20 e 21 de agosto, quase 600 integrantes do sistema de Justiça de diferentes regiões brasileiras, segundo o TJMT. A programação tem como tema “Justiça Híbrida: Humanos, Dados e Inteligência Artificial” e reúne debates sobre inovação, utilização de dados, novas tecnologias e maneiras de melhorar a prestação dos serviços públicos. Para quem acompanha o desenvolvimento tecnológico em Cuiabá, o encontro mostra que a inovação produzida na capital e em Mato Grosso não está restrita ao setor privado ou ao agronegócio, alcançando também áreas tradicionalmente associadas à administração pública. (TJMT)
O impacto local ganha ainda mais relevância porque três das quatro ferramentas anunciadas pelo CNJ foram desenvolvidas pelo próprio Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Isso significa que conhecimento técnico produzido no estado poderá ser aproveitado por outras unidades do Judiciário brasileiro. O modelo também ajuda a posicionar Cuiabá como ambiente de discussão sobre inovação pública, especialmente em um momento em que inteligência artificial generativa, automação documental e análise de grandes volumes de dados começam a alterar atividades profissionais. Para o cidadão, a questão central é saber se essa tecnologia conseguirá reduzir tarefas burocráticas e contribuir para serviços judiciais mais rápidos sem eliminar a supervisão humana necessária às decisões.
LexIA, OMNIA e Hannah: o que fazem as tecnologias criadas em Mato Grosso
Entre as ferramentas disponibilizadas pelo Programa Conecta está a LexIA, desenvolvida pelo TJMT para auxiliar na produção de minutas e documentos judiciais. O sistema utiliza recursos de inteligência artificial generativa para apoiar atividades relacionadas à elaboração de textos dentro do Judiciário. A tecnologia procura automatizar parte das tarefas repetitivas que consomem tempo das equipes, permitindo que servidores e magistrados concentrem esforços em análises que dependem de interpretação jurídica e avaliação humana. O compartilhamento da ferramenta representa um exemplo de como uma solução criada para uma demanda interna de Mato Grosso pode ser adaptada por outras instituições. (CNJ)
Outra solução mato-grossense é o OMNIA, desenvolvido para trabalhar com grandes volumes de informações processuais e apoiar a gestão. Sistemas desse tipo são importantes porque tribunais administram bases extensas de processos, documentos, movimentações e indicadores. Ao organizar essas informações e permitir análises mais rápidas, a tecnologia pode auxiliar equipes a identificar gargalos, acompanhar processos e direcionar esforços para áreas que exigem maior atenção. O ganho esperado não está simplesmente na digitalização de documentos, mas na capacidade de transformar dados já existentes em informações úteis para a tomada de decisões administrativas. (CNJ)
A terceira ferramenta desenvolvida pelo TJMT é a Hannah, direcionada ao apoio da análise de admissibilidade de recursos especiais e extraordinários. Esse tipo de trabalho envolve a verificação de requisitos processuais antes que determinados recursos avancem para tribunais superiores. A tecnologia organiza informações relevantes e auxilia as equipes responsáveis pela análise, buscando tornar o procedimento mais eficiente. Ao lado dessas três ferramentas, o Programa Conecta também recebeu a LIA3R, desenvolvida pelo Tribunal de Justiça de Rondônia, ampliando o conjunto de soluções disponíveis para compartilhamento nacional. (CNJ)
O que a expansão dessas tecnologias pode representar para quem vive em Cuiabá
Para o morador de Cuiabá, ferramentas utilizadas internamente pelo Judiciário podem parecer distantes do cotidiano, mas seus efeitos potenciais estão relacionados ao funcionamento de serviços públicos utilizados pela população. Processos judiciais envolvem questões trabalhistas, familiares, empresariais, de consumo, contratos e diversas outras situações que atingem cidadãos e empresas. Quando tecnologias reduzem tarefas administrativas ou facilitam a localização e organização de informações, elas podem liberar profissionais para atividades que exigem maior análise. Isso não significa que a inteligência artificial decidirá automaticamente os processos, mas que determinadas etapas operacionais podem receber apoio tecnológico.
Há também um impacto econômico e profissional relevante para a capital. O desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial dentro de instituições públicas aumenta a procura por profissionais especializados em engenharia de software, ciência de dados, segurança da informação, inteligência artificial e governança digital. Cuiabá já concentra universidades, órgãos estaduais, empresas de tecnologia e serviços especializados que atendem diferentes regiões de Mato Grosso. Quando projetos desenvolvidos localmente passam a ser utilizados nacionalmente, a experiência adquirida pelas equipes da região também ganha maior relevância no mercado de inovação pública.
Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência artificial no Judiciário exige atenção a questões como proteção de dados, transparência dos sistemas, segurança digital e supervisão humana. Ferramentas capazes de analisar documentos ou gerar textos precisam operar dentro de regras que preservem direitos e permitam identificar como a tecnologia está sendo empregada. O próprio tema do FestLabs — envolvendo humanos, dados e inteligência artificial — evidencia que a transformação não depende apenas da criação de novos sistemas. O desafio será combinar ganhos de produtividade com responsabilidade institucional e controle sobre a utilização da tecnologia. (TJMT)
A apresentação do Programa Conecta no FestLabs coloca Cuiabá e Mato Grosso no mapa nacional da inovação aplicada à Justiça. Ao disponibilizar LexIA, OMNIA e Hannah para compartilhamento, o TJMT transforma projetos desenvolvidos para necessidades locais em tecnologias com possibilidade de utilização por outras instituições brasileiras. Para o cuiabano, a mudança pode ser percebida principalmente na modernização dos serviços públicos e na ampliação do ecossistema tecnológico da capital. O resultado concreto dependerá da adoção das ferramentas pelos tribunais, da avaliação de seus resultados e da capacidade de manter supervisão humana e segurança no tratamento das informações. Ainda assim, o encontro realizado em Cuiabá mostra que inteligência artificial e análise de dados deixaram de ser apenas tendências para começar a integrar de forma prática a estrutura de funcionamento do Poder Judiciário brasileiro. (CNJ)



