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Cuiabá usa drones com câmera térmica para combater queimadas em terrenos baldios

Operação Escudo Verde amplia fiscalização aérea em bairros da capital durante o período de estiagem

Combater queimadas urbanas costuma depender de um trabalho lento e manual: fiscais percorrendo bairro por bairro, terreno por terreno, muitas vezes só depois de uma denúncia formal. Em Cuiabá, esse cenário começou a mudar em agosto, quando a Prefeitura passou a usar drones equipados com câmera térmica para acelerar esse tipo de vistoria.

Como funciona a nova etapa da Operação Escudo Verde

A iniciativa integra a Operação Escudo Verde, conduzida pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp), e teve início nos bairros Santa Cruz e Boa Esperança, com previsão de expansão para outras regiões da capital. O objetivo é reforçar a fiscalização de terrenos baldios, especialmente aqueles com mato alto, vegetação seca ou acúmulo de lixo, condições que favorecem diretamente a propagação de incêndios durante o período mais crítico do ano em Mato Grosso.

Os drones são empregados principalmente no monitoramento de imóveis já denunciados pela população através do canal Web Denúncias, disponível no site da Sorp. Na prática, isso significa que um único operador de drone consegue cobrir, em pouco tempo, uma área que antes exigiria o deslocamento presencial de uma equipe inteira, ganho de eficiência relevante para uma cidade do porte de Cuiabá, que enfrenta todos os anos, entre julho e outubro, o período mais seco e propenso a incêndios.

Por que a tecnologia térmica faz diferença

A câmera térmica embarcada nos drones permite identificar variações de temperatura no solo e na vegetação, o que ajuda a apontar áreas de risco mesmo antes de um foco de incêndio se tornar visível a olho nu. Esse tipo de recurso já vem sendo adotado por corporações de bombeiros e órgãos ambientais em diferentes estados brasileiros justamente pela capacidade de antecipar riscos.

Diogo Viana Rabelo, assessor da Secretaria de Ordem Pública e piloto credenciado de aeronaves não tripuladas junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), explica que a tecnologia amplia o alcance das equipes de fiscalização e permite uma vistoria mais detalhada dos imóveis, sem a necessidade de entrada física em terrenos que muitas vezes apresentam risco à segurança dos próprios fiscais.

O respaldo legal por trás da fiscalização mais rígida

A base normativa que sustenta esse tipo de ação ficou mais objetiva recentemente. O coordenador de Fiscalização Ambiental e de Posturas da Sorp, Érico César de Arruda Silva, destaca que a Lei Complementar nº 589, de 2025, trouxe critérios mais claros para a atuação dos fiscais municipais. Um dos pontos centrais dessa legislação é a definição de que terrenos com vegetação superior a 50 centímetros já são considerados ambientes propícios a queimadas.

Isso significa que, identificado esse cenário, seja por denúncia ou pelo próprio monitoramento aéreo, a autuação pode ser imediata, sem necessidade de notificação prévia ao proprietário, justamente por conta do risco à coletividade que esse tipo de terreno representa. Segundo Érico, a maior parte das fiscalizações em andamento hoje ainda tem origem em denúncias feitas pela própria população através do portal da secretaria.

A ação conta com articulação entre diferentes órgãos municipais, incluindo a Defesa Civil e a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb), o que mostra uma tentativa de integrar diferentes frentes de combate ao problema das queimadas urbanas, que vai muito além da simples autuação e envolve também limpeza e remoção de material inflamável acumulado.

Do ponto de vista regulatório, o uso institucional de drones por prefeituras também precisa seguir regras específicas. Qualquer voo institucional, como os realizados pela Sorp, precisa passar pelos mesmos trâmites de autorização exigidos de operadores comerciais e recreativos no Brasil, incluindo registro da aeronave no sistema SARPAS e liberação prévia do espaço aéreo antes da decolagem, conforme normas da Anac e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

Para o mercado de operadores e pilotos de drone no país, casos como o de Cuiabá vêm sendo observados como parte de uma tendência maior: prefeituras contratando ou capacitando equipes próprias para fiscalização remota por aeronaves não tripuladas, um segmento que tende a crescer ainda mais com a atualização da regulamentação federal sobre o tema em 2026.

Para o morador de bairros como Santa Cruz e Boa Esperança, o efeito mais direto dessa mudança tende a ser uma resposta mais rápida diante de denúncias sobre terrenos abandonados, historicamente uma queixa recorrente em épocas de seca, quando o risco de incêndio cresce em áreas urbanas com lotes vazios mal cuidados.

A expectativa da Prefeitura é expandir gradualmente essa cobertura por drones para outras regiões da capital ao longo da estiagem, à medida que a operação avança pelos bairros já mapeados como prioritários, sempre combinando o monitoramento aéreo com o trabalho de campo das equipes de fiscalização.

Fontes consultadas:
https://www.cuiaba.mt.gov.br/noticias/drones-reforcam-fiscalizacao-de-terrenos-para-prevenir-queimadas-em-cuiaba-em-validacao
https://pickdrones.com/pt/cuiaba-drones-queimadas-terrenos-2026/
https://rdmonline.com.br/drones-reforcam-fiscalizacao-de-terrenos-para-prevenir-queimadas-em-cuiaba/

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