Aos 12 anos, cuiabano autista fala 12 idiomas e transforma tabela periódica em livro

Jovem cuiabano une facilidade para aprender idiomas e paixão pela ciência em projeto que transforma a tabela periódica em livro.
Um menino de 12 anos, morador de Cuiabá, chamou a atenção do meio literário nacional ao lançar uma obra própria durante um dos maiores eventos de livros do país. José Murilo Bernal Barreto Carneiro, autista com altas habilidades e superdotação, apresentou neste fim de semana o livro “Element Humans, a vida na Tabela Periódica!”, em que cada elemento químico ganha corpo, personalidade e função, como se fosse um personagem de ficção. O lançamento aconteceu na 28ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi, um dos maiores encontros do setor editorial no Brasil, com apresentação marcada para as 18h no estande da Fábrica do Livro.
Uma paixão que virou livro
Aos 12 anos, enquanto muitos meninos ainda descobrem seus primeiros interesses, José Murilo já transformou uma de suas paixões em livro. O garoto é bilíngue desde os três anos e escreveu a obra em português e em inglês, além de ter desenhado sozinho todos os personagens da capa e do miolo. A ideia de misturar química com narrativa não surgiu por acaso. O interesse pelo tema nasceu entre 2020 e 2021, quando José encontrou um vídeo sobre a tabela periódica e passou a pesquisar o assunto por conta própria, sem qualquer estímulo externo direto. O que começou como curiosidade infantil se transformou, ao longo dos anos seguintes, em um projeto editorial completo, unindo ciência, literatura e ilustração em um único volume. Aos 12, cuiabano autista fala 12 idiomas e lança obra na Bienal | Diario de Cuiabá +2
A trajetória do menino chama atenção justamente pela combinação pouco comum entre idade, diagnóstico e amplitude de repertório. Cuiabano, com altas habilidades e superdotação, José fala atualmente 12 idiomas e criou uma obra que mistura ciência, literatura, imaginação e desenho. Para especialistas em neurodiversidade, casos assim reforçam a importância de reconhecer que o espectro autista abriga perfis muito diferentes entre si, alguns deles marcados por habilidades específicas altamente desenvolvidas, como memória, linguística ou raciocínio lógico. Diario de Cuiabá
O apoio da família como base
Ao falar sobre o processo de criação, José não esconde a ansiedade natural de quem está prestes a apresentar um trabalho autoral a um público desconhecido. “Estou empolgado e ansioso, uma mistura de emoções. Participar da Bienal me incentiva e me dá vontade de continuar outros projetos”, contou o autor. A presença da família foi decisiva ao longo de todo o processo, da pesquisa inicial até a publicação. Ao comentar o apoio da mãe e do irmão, o garoto resumiu a importância dessa rede em uma única palavra: segurança. “Acho que me faz seguro em várias coisas”, disse. Diario de CuiabáDiario de Cuiabá
Esse relato ilustra um ponto frequentemente destacado por profissionais que trabalham com crianças e adolescentes autistas: o ambiente familiar acolhedor funciona como estrutura de sustentação para que talentos e interesses específicos possam se desenvolver plenamente, sem que o diagnóstico se torne um fator limitante. No caso de José, a combinação entre estímulo doméstico e curiosidade genuína resultou em um produto editorial que já circula entre educadores, colecionadores de literatura infantojuvenil e entusiastas de divulgação científica.
Um projeto editorial ambicioso
O livro não se limita a listar propriedades químicas de forma tradicional. Cada elemento da tabela periódica é apresentado como se tivesse traços de personalidade, formando uma espécie de elenco fictício que atravessa conceitos de física e química básica. A proposta dialoga com uma tendência crescente na educação infantil: usar narrativa e personificação para facilitar a compreensão de conteúdos considerados áridos por boa parte dos estudantes mais jovens. Ao humanizar átomos e moléculas, a obra busca aproximar crianças de temas normalmente reservados a etapas mais avançadas da escolarização.
A escolha da Bienal de São Paulo como palco de lançamento também tem peso simbólico. O evento reúne, historicamente, milhares de visitantes ao longo de sua programação e costuma ser vitrine para autores estreantes, incluindo vozes jovens e projetos independentes. Para um autor de apenas 12 anos, participar da programação ao lado de nomes consagrados da literatura nacional representa um marco pessoal expressivo, além de uma oportunidade concreta de visibilidade para o trabalho.
Repercussão em Cuiabá
A história de José rapidamente ganhou espaço em veículos de comunicação de Mato Grosso, movida tanto pelo ineditismo do projeto quanto pelo caráter inspirador da trajetória. Em uma capital que frequentemente concentra notícias ligadas à política, ao agronegócio e ao clima extremo, casos como o do jovem escritor cuiabano lembram que Cuiabá também produz talentos em áreas menos convencionais, como divulgação científica infantil e literatura autoral. A repercussão local reforça, ainda, o debate sobre inclusão e sobre a necessidade de ambientes escolares e sociais preparados para reconhecer e estimular perfis neurodivergentes desde cedo.
Para famílias que acompanham de perto crianças no espectro autista, relatos como o de José costumam funcionar como referência prática. Mostram que, com suporte adequado, interesses intensos e específicos, característicos de muitos perfis autistas, podem ser canalizados para projetos concretos e reconhecidos publicamente, em vez de serem tratados apenas como peculiaridades a serem controladas. É um lembrete de que a diversidade de formas de aprender e de se expressar também é parte da riqueza cultural da cidade.
Fontes:
- https://www.diariodecuiaba.com.br/cidades/aos-12-cuiabano-autista-fala-12-idiomas-e-lanca-obra-na-bienal/754487
- https://www.fatosdematogrosso.com.br/cidades/cuiabano-de-12-anos-lanca-livro-sobre-tabela-periodica-na-bienal-de-sao-paulo/15929
- https://poconeonline.com/aos-12-cuiabano-autista-fala-12-idiomas-e-lanca-obra-na-bienal/



