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Cuiabá registra queda na dengue em 2026, mas cidade ainda soma mais de 500 casos confirmados

Boletim da Vigilância Epidemiológica mostra redução expressiva de notificações em relação ao ano passado, enquanto ação contra fios irregulares reforça agenda de infraestrutura urbana na capital

Cuiabá fechou a primeira semana de julho com um retrato misto sobre arboviroses. Por um lado, os números trazem alívio: a incidência de dengue e chikungunya caiu de forma consistente na comparação com 2025. Por outro, a cidade ainda soma centenas de casos confirmados e um óbito, o que mantém a atenção das autoridades de saúde acesa. É esse contraste, entre a melhora estatística e a permanência do risco, que tem motivado moradores a se perguntar se realmente podem baixar a guarda contra o mosquito Aedes aegypti neste momento do ano. Ao mesmo tempo, a Prefeitura avançou em outra frente sensível ao dia a dia da população, a organização da fiação elétrica nas principais avenidas, com mais uma etapa de uma operação que já retirou toneladas de cabos abandonados dos postes da capital.

O que diz o boletim epidemiológico de Cuiabá

Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde, até o início de julho o município contabilizou 1.295 notificações de dengue neste ano, das quais 568 foram efetivamente confirmadas em exames. A doença já deixou uma morte confirmada, enquanto um segundo óbito segue em investigação para confirmação do nexo causal. Na 25ª Semana Epidemiológica, período mais recente analisado pelos técnicos da vigilância, foram registrados nove novos casos notificados de dengue e outros três de chikungunya, números considerados baixos para o padrão histórico da capital mato-grossense nesta época do ano.

O dado que mais chama atenção, no entanto, é a trajetória ao longo do ano. A média semanal de notificações de dengue recuou de 75,6 casos em 2025 para 51,8 em 2026, uma queda que os especialistas atribuem a uma combinação de fatores, incluindo ações de combate a criadouros e possível variação natural nos ciclos da doença. O comportamento da chikungunya foi ainda mais acentuado, com a média semanal despencando de 434,9 notificações no ano passado para apenas 4,8 neste ano, uma redução que praticamente elimina a circulação intensa do vírus que preocupou a cidade recentemente. A zika, por sua vez, permanece com incidência baixa, contabilizando oito notificações e três confirmações até o momento.

Apesar da melhora nos números, a leitura técnica é de cautela. A incidência de dengue em Cuiabá, considerando apenas os casos autóctones, está em 70,5 casos por 100 mil habitantes, patamar que ainda demanda monitoramento constante das equipes de campo. Para a chikungunya, a incidência calculada é de 7,8 casos por 100 mil habitantes, sem registro de óbitos associados à doença até o momento. Esses indicadores reforçam a recomendação de que a população mantenha os cuidados básicos de eliminação de água parada, já que o período de estiagem, embora reduza a proliferação do mosquito, não elimina totalmente o risco de novos focos.

Por que a fiscalização de fios e cabos também está na pauta da cidade

Enquanto a saúde pública dá sinais de melhora, a Prefeitura de Cuiabá também avançou em uma frente ligada à segurança urbana. Neste domingo, a administração municipal realizou a sexta edição da Operação Telefone Sem Fio, desta vez concentrada na Avenida Dom Bosco, uma das vias de maior circulação da capital. A ação integrada reúne a Secretaria Municipal de Ordem Pública, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, a Segurança Pública Municipal, o Procon Municipal e a concessionária Energisa Mato Grosso, responsável pela gestão dos postes no estado.

Somente nesta etapa, foram retirados cerca de 500 quilos de cabos desativados e irregulares, que representavam risco a pedestres e motoristas. O balanço acumulado da operação já ultrapassa 12 toneladas de material retirado desde que a iniciativa começou, passando por vias como a Avenida Comandante Costa, a Avenida das Palmeiras, a Avenida Isaac Póvoas, a Avenida dos Trabalhadores e a Avenida Carmindo de Campos. A iniciativa ganhou reforço legal recente com a aprovação da Lei Complementar nº 599/2026 pela Câmara Municipal, resultado dos trabalhos de uma CPI voltada especificamente para o problema dos cabos e fios abandonados na cidade, o que deve tornar as regras de ocupação dos postes mais rígidas para as concessionárias.

O que muda na rotina de quem mora e circula pela capital

Para o morador de Cuiabá, os dois temas convergem em uma mesma preocupação, a qualidade de vida no espaço urbano. A queda nos casos de arboviroses reduz a pressão sobre unidades de saúde e diminui o risco individual de contaminação, mas não dispensa cuidados como a vedação de caixas d’água e o descarte correto de recipientes que acumulam água da chuva. Já a retirada de fiação irregular tende a reduzir acidentes e melhorar a estética das principais avenidas, além de facilitar o trabalho de manutenção da rede elétrica em períodos de chuva forte, quando cabos soltos representam risco adicional de curto-circuito e queda de energia.

A Prefeitura sinaliza que a fiscalização deve continuar avançando por outras vias da capital nos próximos meses, seguindo o cronograma estabelecido pelo Programa Municipal de Ordenamento da Fiação Aérea. Do lado da saúde, a recomendação da Vigilância Epidemiológica é que a população continue monitorando possíveis criadouros mesmo diante da queda nos números, já que a proximidade da próxima estação chuvosa costuma elevar novamente a circulação do mosquito transmissor. O acompanhamento contínuo desses dois indicadores, arboviroses e infraestrutura urbana, tende a seguir pautando o noticiário da capital nas próximas semanas.

Cuiabá vive um momento de resultados parcialmente positivos, mas que exigem continuidade nas ações públicas para se consolidarem. A queda de mais de 30% na média semanal de dengue e a redução drástica da chikungunya são números que trazem alívio, sem, no entanto, eliminar a necessidade de vigilância. Da mesma forma, o avanço da fiscalização sobre fios e cabos abandonados mostra um poder público atento a um problema recorrente, mas que depende de continuidade orçamentária e fiscalização permanente para não perder força. A combinação entre dados epidemiológicos favoráveis e ações concretas de infraestrutura ajuda a formar um panorama mais completo sobre a qualidade de vida na capital mato-grossense neste momento do ano.

Fontes consultadas: Prefeitura de Cuiabá, MidiaNews, Mato Grosso Mais Notícias

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