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Design editorial: como organizar informação com clareza?

Um distribuidor de materiais elétricos reimprimiu o catálogo três vezes em dois anos e continuou recebendo o mesmo telefonema dos vendedores: em que página está o código deste produto? O material tinha fotos boas, papel resistente e quarenta e oito páginas caprichadas. A cada nova tiragem, alguém propunha imagens maiores ou papel mais nobre, e a ligação continuava chegando.

Ao analisar situações como essa, Dalmi Defanti, especialista em assuntos gráficos, avalia que o problema é de design editorial, não de conteúdo: falta hierarquia entre uma informação e outra. O caso desse distribuidor é fictício, mas reúne os defeitos que mais aparecem em catálogos, relatórios e materiais institucionais. Acompanhe a seguir o diagnóstico e as correções aplicadas.

Como a padronização na apresentação de produtos pode facilitar a leitura do catálogo? 

Página a página, o padrão ficou evidente. Nome do produto, código, voltagem, preço e observação técnica apareciam no mesmo corpo, na mesma cor e com o mesmo espaço ao redor. Sem diferença de peso visual, o olho não sabe por onde começar. Ou lê tudo com esforço, ou desiste e liga para alguém que já conhece o catálogo de cor.

A segunda falha era de repetição. Cada seção apresentava a ficha do produto de um jeito próprio, herdado das versões anteriores do material. Quem folheava precisava reaprender a leitura a cada capítulo, e essa fricção se acumulava. Padronizar a ficha corrigiu o problema sem alterar uma vírgula do conteúdo, porque consistência não é preciosismo de designer, e sim economia de esforço para quem consulta.

A grade que sustenta a página antes da decoração

A Gráfica Print indica que imprimir uma página organizada custa o mesmo que imprimir uma página confusa, e que a diferença aparece só no uso. A reformulação do catálogo começou, então, pelo grid: quatro colunas, calhas largas e uma ficha de produto padronizada, com o código sempre no mesmo canto da página.

Dalmi Defanti
Dalmi Defanti

Dalmi Defanti frisa que largura de coluna, corpo de texto e entrelinha foram definidos juntos, porque uma decisão altera as outras. A linha ficou perto de sessenta e cinco caracteres, medida clássica de leitura confortável, o que reduziu hifenização e quebras estranhas no meio das descrições. A margem externa cresceu para acomodar o polegar de quem folheia o material em pé, no corredor do estoque.

Como o leitor navega quando não lê tudo?

Catálogo não se lê, se consulta. Dalmi Defanti pontua que esse comportamento é como leitura em salto: a pessoa entra pelo índice ou pela borda da página, procura um sinal reconhecível e para ali. Cabeçalho corrente, número de página visível e uma cor por seção transformam esse salto numa rota previsível, sem exigir que ninguém percorra o material inteiro.

A intervenção mais barata foi também a mais eficaz nesse caso: uma faixa colorida na margem externa, diferente para cada família de produto, visível com o catálogo ainda fechado. Recursos assim custam quase nada em produção e resolvem o que páginas extras de explicação não resolveriam, porque atuam antes da leitura, na hora de encontrar o lugar certo.

Clareza é decisão, não sobra de espaço

Espaço em branco costuma ser tratado como desperdício de papel, quando funciona como o contrário disso: é ele que separa blocos, cria pausa e sinaliza onde uma ideia termina. Uma página que respira, comunica calma. Uma página cheia comunica pressa. Quem espreme o conteúdo para economizar tiragem costuma imprimir a mesma quantidade de informação com metade da utilidade.

Design editorial bem resolvido passa despercebido. Ninguém elogia a diagramação de um relatório, de um cardápio ou de um catálogo; as pessoas apenas encontram o que procuravam e seguem adiante. Essa invisibilidade é o padrão de qualidade da área e explica por que a diagramação é tão fácil de cortar do orçamento e tão cara de recuperar depois.

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