Cuiabá bate recorde e se torna a capital mais quente do Brasil em 2026

Capital mato-grossense registrou 41,2°C no domingo, 30 de agosto, superando marca histórica do Rio de Janeiro e confirmando o sexto dia acima dos 40°C só no mês
O último final de semana de agosto entrou para o histórico climático de Cuiabá. Neste domingo, dia 30, a capital registrou 41,2°C, tornando-se a cidade mais quente entre todas as capitais brasileiras neste ano, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A marca supera o recorde anterior do próprio município e reacende o debate sobre os efeitos das ondas de calor cada vez mais intensas na região Centro-Oeste.
Recorde confirma tendência já prevista
Nos últimos dias de agosto, o Inmet já vinha sinalizando forte elevação nas temperaturas em Mato Grosso, com possibilidade real de Cuiabá ultrapassar a casa dos 41°C. A previsão se confirmou no domingo, quando os termômetros da capital superaram até mesmo a marca histórica do Rio de Janeiro, que havia registrado 40,8°C em janeiro deste ano. Até então, o recorde de 2026 em Cuiabá era de 40,3°C, atingido no dia 25 de agosto, o que mostra a rapidez com que o calor tem se intensificado em pouco mais de uma semana.
Esse foi, segundo o Inmet, o sexto dia do mês em que os termômetros na capital chegaram ou ultrapassaram os 40°C, um número que reforça o padrão de calor extremo já conhecido pelos moradores da cidade. Apesar do recorde entre as capitais, Cuiabá não foi o município mais quente do país no domingo: Nova Xavantina, também em Mato Grosso, registrou 41,7°C, enquanto Santo Antônio do Leverger chegou a 41,1°C.
Outras cidades do estado também apareceram entre as temperaturas mais altas do país no mesmo dia, caso de Barra do Garças, com 40,8°C, e Porto Estrela, com 40,7°C. O cenário reforça que o fenômeno não se restringe à capital, mas atinge boa parte do território mato-grossense de forma simultânea.
Geografia e desmatamento explicam o calor extremo
Especialistas apontam que a localização de Cuiabá contribui diretamente para esse cenário. A cidade está situada em uma região de depressão geográfica, cercada por áreas mais elevadas, o que dificulta a circulação de ventos e favorece o acúmulo de ar quente. Some-se a isso o clima tropical continental, com verões longos e secos, e a distância do litoral, que impede que a capital se beneficie da brisa marítima responsável por amenizar o calor em cidades costeiras.
Além dos fatores naturais, o desmatamento no entorno da cidade, em áreas de Cerrado e da Amazônia mato-grossense, tem impacto direto sobre o aumento das temperaturas. A retirada da vegetação reduz a evapotranspiração, processo natural que ajuda a resfriar o ambiente, e favorece a formação de ilhas de calor urbanas, fenômeno que torna as áreas mais urbanizadas ainda mais quentes que as regiões de vegetação preservada.
A urbanização acelerada, com pouca arborização em avenidas e áreas centrais, potencializa esse efeito. O resultado é uma cidade que, mesmo cercada por biomas ricos como o Pantanal e o Cerrado, enfrenta um microclima urbano cada vez mais hostil durante os meses de seca.
Recomendações para atravessar o período de calor
Diante do cenário, o Inmet recomenda reforçar a hidratação ao longo do dia, mesmo sem sensação de sede, e evitar exercícios físicos ao ar livre nos horários de pico de calor, geralmente entre o meio-dia e as 16 horas. A exposição prolongada ao sol nesse período deve ser evitada, principalmente por grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou cardíacos.
A orientação inclui ainda procurar locais protegidos e arejados sempre que possível, além de redobrar os cuidados com queimadas em áreas de vegetação seca, já que o calor combinado à baixa umidade favorece a propagação rápida do fogo. Pequenos focos de incêndio podem se espalhar em questão de minutos nessas condições.
Profissionais de saúde também reforçam a importância de observar sinais de mal-estar relacionados ao calor, como tontura, dor de cabeça intensa e pele muito quente sem suor, sintomas que podem indicar quadros de insolação e exigem atendimento imediato.
Calor altera até a rotina de eventos públicos
O impacto das temperaturas elevadas já se reflete na programação de eventos oficiais da capital. Em razão do calor, a Prefeitura de Cuiabá decidiu alterar o horário do tradicional Desfile Cívico de 7 de Setembro, que neste ano será realizado à noite, com concentração prevista para as 18h30, justamente para reduzir a exposição de estudantes e do público em geral às temperaturas mais altas do dia.
A previsão indica que a tendência de altas temperaturas deve seguir firme no início de setembro, com possibilidade de novas marcas próximas ou acima dos 40°C nos primeiros dias do mês. A combinação entre calor e baixa umidade deve continuar exigindo atenção redobrada da população e dos órgãos de saúde e defesa civil da capital.
Para os próximos dias, a expectativa é de que o alívio só venha com a chegada de chuvas mais regulares, algo que costuma ocorrer apenas a partir de meados de setembro na região Centro-Oeste, o que significa que Cuiabá ainda deve conviver com o calor extremo por pelo menos mais duas ou três semanas.
Fontes:
https://www.estadaomatogrosso.com.br/cidades/cuiaba-chega-a-412-c-e-se-torna-a-capital-mais-quente-do-brasil-em-2026/144978
https://revistaforum.com.br/meio-ambiente-e-sustentabilidade/essa-e-a-capital-mais-quente-do-brasil-como-a-vida-se-transformou-com-o-calor-extremo/



