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Do verde ao eterno: A visão inovadora de Tiago Oliva Schietti sobre a sustentabilidade funerária

Tiago Oliva Schietti, como empresário do setor cemiterial e funerário, explica que, no Brasil, as famílias planejam viagens, casamentos e aposentadorias com muito cuidado, mas raramente se sentam para organizar aquilo que é a única certeza absoluta da vida humana. Essa esquiva cultural em relação ao planejamento funerário preventivo tem um custo real, tanto emocional quanto prático, especialmente no momento em que as famílias precisam tomar decisões urgentes em meio ao luto. 

Continue lendo para entender por que Tiago Oliva Schietti acredita que antecipar essa conversa é um dos gestos mais cuidadosos que uma pessoa pode fazer pela família que ama.

Por que o Brasil ainda evita planejar o que é inevitável?

A resistência ao planejamento funerário preventivo no Brasil tem raízes culturais profundas. Em uma sociedade em que falar sobre morte ainda carrega conotações de mau agouro ou fragilidade, antecipar decisões sobre sepultamento é frequentemente interpretado como um gesto pessimista, quando, na prática, é o oposto: é um ato de consideração e organização. Esse tabu, amplamente documentado por pesquisadores do luto e do comportamento social, faz com que a maioria das famílias brasileiras chegue a uma perda totalmente despreparada, precisando decidir em poucas horas questões que poderiam ter sido organizadas com calma ao longo de anos.

O impacto desse despreparo vai além do sofrimento emocional. Famílias que não planejaram com antecedência tendem a gastar mais do que o necessário, a escolher serviços de menor qualidade por falta de tempo para pesquisar e a enfrentar conflitos internos sobre decisões que poderiam ter sido expressas em vida pelo próprio falecido. Cada um desses elementos adiciona uma camada de dificuldade a um momento que já é, por natureza, extremamente delicado.

O que é o planejamento funerário preventivo e como ele funciona na prática?

O planejamento funerário preventivo engloba um conjunto de decisões e contratações que a pessoa faz em vida, garantindo que suas vontades sejam respeitadas e que seus familiares não precisem arcar com a sobrecarga de organizar tudo no momento da perda. Essas decisões podem incluir a escolha entre sepultamento e cremação, a preferência por determinado tipo de cerimônia, a definição do cemitério ou crematório, a seleção do caixão ou urna, e até o desejo de uma despedida mais intimista ou de uma celebração aberta à comunidade.

Como aponta  Tiago Oliva Schietti, a pré-contratação é um instrumento de proteção emocional para toda a família. Quando os desejos da pessoa estão documentados e os serviços já estão organizados, os familiares podem concentrar sua energia no que realmente importa no momento da perda: estar juntos, amparar uns aos outros e honrar a memória de quem partiu, sem precisar lidar com a burocracia e com cobranças em um momento de dor aguda.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Planejamento sucessório e serviços funerários: Quando essas agendas se encontram?

A conexão entre planejamento sucessório e planejamento funerário preventivo ainda é pouco explorada no Brasil, mas começa a ganhar espaço entre advogados especializados em direito de família e consultores que orientam pessoas em fase de organização de suas últimas vontades. As duas agendas compartilham um pressuposto fundamental: antecipar decisões sobre o que acontece após a morte é uma forma de cuidado com quem fica, não uma sombra sobre quem ainda vive.

De acordo com o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, o planejamento funerário preventivo e o planejamento sucessório são mais complementares do que a maioria das pessoas imagina. Enquanto o segundo cuida da destinação de bens e da organização legal da herança, o primeiro cuida da dimensão simbólica e emocional da despedida. Quando os dois são pensados juntos, a família recebe um presente de clareza e organização que reduz conflitos e facilita a travessia de uma das experiências mais difíceis da vida.

Antecipar o cuidado como herança afetiva para quem fica

O planejamento funerário preventivo, quando comunicado e compartilhado com a família, tem um efeito que vai muito além da organização prática. Ele abre espaço para conversas que raramente acontecem no cotidiano: sobre valores, preferências, sobre o que cada pessoa quer que seja lembrado de sua passagem pelo mundo. Essas conversas, por mais que possam parecer difíceis de iniciar, costumam ser descritas por quem as viveu como momentos de profunda conexão e de reconciliação com a própria finitude.

Como reforça Tiago Oliva Schietti, essa dimensão afetiva do planejamento preventivo é tão importante quanto a dimensão prática. Quando uma pessoa organiza seus desejos funerários com antecedência, ela está dizendo à sua família que se importa com o que eles vão sentir e vivenciar após a sua partida. É um gesto de consideração que atravessa o tempo e que permanece como parte do legado emocional deixado por quem se foi.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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